Os tipos de fraudes na saúde

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Lançado recentemente, o estudo “Arcabouço normativo para prevenção e combate à fraude na saúde suplementar no Brasil” traz um amplo panorama sobre as fraudes no setor de saúde brasileiro e apresenta um conjunto de ações necessárias para sua prevenção. Como mostramos aqui, a publicação realizada em conjunto com a PricewaterhouseCoopers (PwC) Brasil também trouxe as diferenças conceituais entre fraude e corrupção.

Conforme a pesquisa mostra e falamos periodicamente, a falta de legislação específica que garanta e estimule a transparência de informações entre toda a cadeia de valor de saúde gera falhas no mercado que favorecem o aparecimento de práticas fraudulentas que lesam pacientes e todo o sistema.

Ao contrário do que acontece com as operadoras de planos de saúde, que estão diretamente vinculadas às diretrizes normativas da ANS, os demais agentes da cadeia não estão sob o controle direto, de natureza organizacional e financeira, de uma agência reguladora, o que representa uma assimetria de informações.

Tudo isso faz com que aconteça uma série de modalidades de fraudes. O estudo, portanto, ilustra essas práticas no anseio de mitigar os riscos de ocorrência e separa por área. Conheça a seguir. Importante ressaltar que esse tipo de ação gera desperdícios tanto para o sistema público quanto privado, já que não há, no Brasil, criminalização e sanções adequadas quanto ao tema.

 

Ocorrida entre beneficiário do serviço, profissional médico e operadora de saúde:

  • Declaração de saúde: o beneficiário omite a existência de doença preexistente;

  • Uso do plano de saúde: determinada pessoa não segurada usa a identidade de beneficiário para gozar indevidamente de determinado benefício;

  • Pedido de reembolso: aumento indevido dos valores dos serviços para aumentar indevidamente o reembolso a ser recebido pelo plano de saúde;

  • Tipo de serviço: o médico, com a concordância do beneficiário, informa serviço diverso do realizado para obter a cobertura do plano de saúde.

 

Realizada entre prestador de serviços de saúde e operadora de saúde:

  • Determinação da quantidade ou qualidade de materiais: o hospital declara que utilizou um número maior de materiais médico hospitalares para o plano de saúde, ou presta declaração indevida de que utilizou materiais de melhor qualidade do que os efetivamente empregados no procedimento;

  • Duração da internação: o médico prolonga desnecessariamente o período de internação do paciente para aumentar o número de diárias do plano de saúde.

 

Cometida entre fornecedores e profissionais de saúde:

  • Prestação de serviço: fornecedores ou seus distribuidores oferecem uma porcentagem de comissão ao profissional para que ele indique ou use o seu medicamento/dispositivo;

  • Judicialização: o médico indica ao paciente um tratamento ou medicamento que não é coberto pelo plano de saúde. Advogado em conluio com o médico, judicializa a demanda para que o plano de saúde seja obrigado a pagar pelo tratamento/medicamento. Médico e advogado podem receber comissões dos fornecedores e distribuidores.

 

Das operadoras contra os demais agentes: 

  • Glosa de pagamentos de maneira injustificada ou discricionária por parte da operadora de plano de saúde, quando da existência de poder de barganha no relacionamento entre a operadora e o hospital. Este tipo de situação pode ser considerado nocivo à relação entre os agentes quando a glosa ocorre em situações de mera instrumentalidade, visando exclusivamente a redução de custos, com a finalidade de manter capital de giro ou de diminuir o valor a ser pago ao hospital;

  • Atraso intencional no pagamento de contas, com a finalidade de indiretamente reduzir os valores devidos e postergar o desencaixe financeiro;

  • Conflito de interesses de acionista em comum de operadora de plano de saúde e hospital, que utiliza sua posição para beneficiar as operações da operadora.

Fonte: IESS

Os custos dos planos de saúde

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A inflação da saúde é tema recorrente em discussões no mercado de saúde suplementar, e apontada como vilã pela perda de mais de 3 milhões de beneficiários pelas operadoras de planos de saúde (OPS) nos últimos 3 anos no Brasil. Entre 2013 e 2018, enquanto o IPCA acumulou alta de 39%, nos planos de saúde foi de 82%. Endereçar os problemas da saúde suplementar é contribuir para a melhoria da saúde pública, evitando a sobrecarga no SUS.

Algumas ideias para estancar a escalada dos custos dos planos de saúde têm circulado no mercado, como, por exemplo, a mudança da cobrança pelos prestadores de serviços do “fee for service” para cobranças atreladas a resultados e metas. Além disso, a discussão sobre escalada dos preços deve ser separada entre (i) elementos de custo das OPS e (ii) competição na oferta de planos. Tratar custos sem atentar para competição apenas elevará as margens das OPS, e tratar competição sem endereçar a pressão sobre custos é enxugar gelo.

Quanto aos custos, requer-se reconhecer que há falhas significativas no mercado de saúde, com “risco moral” e “problema agente principal”. Quem promove a demanda pelos serviços – especialmente os médicos – não paga a conta final, recaindo tal ônus sobre as OPS e, em última instância, sobre o consumidor final. Este, por sua vez, não possui incentivos e capacidade de contestar prescrições indevidas ou dispensáveis, seja porque não possui o conhecimento técnico necessário, seja porque, para ele, o plano é quem vai pagar. Nessa linha, é premente discutir as relações heterodoxas entre médicos, hospitais, laboratórios, empresas farmacêuticas e fornecedores de OPME (órteses e próteses). É inadmissível a continuidade de práticas como remuneração atrelada a metas de procedimentos solicitados, rebates, prêmios ou qualquer tipo de benefícios, pecuniário ou não, que visem a obter do médico a preferência sobre determinado serviço, produto ou fornecedor. É previsto resguardar o ato médico de incentivos externos que não tenham como escopo o melhor interesse do paciente-consumidor. Segundo dados da OCDE, a saúde suplementar no Brasil realizou 147 exames de ressonância magnética para cada 1000 habitantes em 2015, enquanto nos países membros essa taxa é de 67 exames.

Pelo lado da oferta de planos de saúde, é preciso avaliar medidas que promovam maior competição entre as OPS. Uma delas seria a revogação do art. 14 da RN 195 – ANS, que proíbe a cobrança dos planos por adesão diretamente pelas OPS aos beneficiários, impondo a necessidade de um intermediário – a Administradora de Beneficiários. Tal proibição constitui amarra à livre atuação das OPS, além de criar uma reserva de mercado para intermediação dos planos de saúde. À guisa de informação, a receita das administradoras passou de R$665 milhões, em 2011, para R$1,6 bilhão, em 2017, segundo dados da ANS, obtendo crescimento mesmo com a perda de beneficiários pelas operadoras nos anos mais recentes.

Ao fim, a falta de regulação para alguns serviços e o excesso – ou equívoco – na regulação para outros impõem à estrutura do mercado de saúde suplementar uma série de obstáculos à correta formação dos preços. Há muitos desafios pela frente, mas há espaço para a adoção de medidas que ataquem o problema dos custos, tratando dos incentivos ao desperdício, ao sobreuso e ao sobrebreço de produtos e serviços. Por outro lado, ao reduzir as amarras que impedem maior competição, cria-se um ambiente favorável à eficiência por parte das OPS, de modo que essas trabalhem mais arduamente no controle dos custos e tenham menor capacidade de repassar aumentos de preços aos cidadãos.

Por Alexandre Macedo (Superintendente do Cade) e Marcelo Oliveira (Coordenador-geral de Análise Antitruste do Cade)

Fonte: O Globo

Relatório Deloitte | 2019 Global Health Care Outlook

Todo ano a firma de consultoria Deloitte cria um relatório dando um grande panorama sobre o setor de saúde. No relatório de 2019, que acaba de ser divulgado, apresentam-se as principais questões do setor.

Os crescentes custos continua sendo uma das principais questões para os sistemas de saúde de todo o mundo. As razões são parecidas em todo o mundo e o envelhecimento da população e novas tecnologias no setor são os principais causadores desse crescimento.

Existe um movimento importante onde grandes players de tecnologia como Apple, Google, Amazon passam a ter estratégias específicas para o setor, a busca é sempre por mais eficiência, efetividade e menores custos e a crença é que tecnologia possa ser a solução.

Novos modelos de prestar assistência e novas formas de remuneração também são tendência em todo o mundo. O objetivo é alinhamento de interesses entre todos os atores do sistemas, buscando melhores tratamentos, no lugar certo, na hora certa e da maneira certa. A chamada Medicina de Valor veio para ficar e já apresenta resultados animadores.

Com o envelhecimento da população e crescimento das doenças não comunicáveis, todo o setor está migrando para um modelo onde a prevenção e gerenciamento de doenças, além, é claro, de promoção de bem estar. Esse foco em Gestão Populacional exigirá uma readequação de vários atores do setor. Nesse sentido existe também a tendência de tirar a assistência à saúde de dentro dos hospitais. Essa “desospitalização” será puxada por provedores de menor complexidade e uso intensivo de tecnologia. O uso de tecnologia para monitoramento remoto de condições de saúde e telemedicina terá papel fundamental na gestão de populações.

A crescente quantidade de dados gerados através de prontuários eletrônicos e dispositivos conectados será o grande combustível para inovações disruptivas no setor. As aplicações do Big Data e Inteligência Artificial estão apenas no início e prometem trazer muitos benefícios.

Veja o relatório completo: aqui

Os 10 mitos e verdades sobre o uso de Filtro Solar

Mitos e verdades sobre o uso de Filtro Solar
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FILTRO SOLAR PREVINE O ENVELHECIMENTO?

Verdade. O envelhecimento resulta da combinação das ações dos raios ultravioletas do sol e dos fatores genéticos.
É NECESSÁRIO APLICAR FILTRO SOLAR NO ROSTO MESMO EM DIAS SEM SOL?

Verdade. Os raios ultravioletas, que causam os principais danos, alcançam a pele mesmo em dias nublados ou com chuva.
DEVO PASSAR FILTRO SOLAR NO ROSTO MESMO SE VOU FICAR SOMENTE EM AMBIENTES FECHADOS?

Verdade. As luzes fluorescentes, devido à emissão da luz visível, podem piorar as doenças que causam manchas e escurecimento da pele.
É PRECISO REAPLICAR O PRODUTO MAIS DE UMA VEZ POR DIA?

Verdade. Os filtros solares vão diminuindo seu efeito com o passar das horas. Segundo o Consenso Brasileiro de Fotoproteção, elaborado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, os produtos devem ser reaplicados a cada duas horas.
OS FILTROS NÃO TÊM PODER DE PROTEÇÃO MAIOR QUE FPS 30.

Mito. Quanto maior o valor do FPS, maior a porcentagem de proteção solar.
FILTROS EM SPRAY SÃO TÃO EFICIENTES QUANTO OS EM FORMATO DE CREME

Verdade. A escolha do tipo de fotoprotetor deve ser baseada nas características da pele do paciente, desde que apresente FPS 30 ou maior e proteção para raios UVA ou proteção de amplo espectro.
OS FILTROS SOLARES SÃO REALMENTE À PROVA D'ÁGUA

Mito. O produto pode perder até 50% do valor da proteção ao ser exposto à água.
NÃO HÁ PROBLEMA EM PASSAR O FILTRO COM A PELE ÚMIDA

A água pode diluir o produto e diminuir o valor da sua proteção
BONÉS E CHAPÉUS COM FATOR DE PROTEÇÃO SÃO EFICIENTES

Verdade. O modelo, o tamanho da aba e o produto que os bonés e chapéus são feitos são fatores determinantes do grau de proteção oferecido.
ÓLEOS COM FATOR DE PROTEÇÃO SÃO SEGUROS

Mito. Por serem muito fáceis de aplicar, resultam em baixa efetividade porque deixa uma fina película transparente sobre a pele, com reduzido FPS.

Saúde privada acumula fraudes de R$20 bi e falta de controle, aponta estudo.

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Com fraudes na saúde privada estimas em R$20 bilhões anuais, Brasil não dispõe de mecanismos efetivos de controle e de transparência para preveni-las e combatê-las.

A conclusão é de um estudo inédito do IESS (Instituto de Estudos da Saúde Suplementar) e da consultoria PwC Brasil, que estima que em 2016 o total de gastos relacionados a fraudes tenha respondido por 15% das despesas assistenciais (R$11 bilhões com hospitais e R$9 bilhões em exames).

Naquele ano, veio à tona a “máfia das próteses”, esquema em que empresas pagaram propina a médicos e hospitais para que usassem produtos superfaturados em detrimento de outros mais baratos ou mais adequados. Até cirurgias desnecessárias foram feitas, segundo as investigações.

Desde então, surgiram projetos de lei, iniciativas interministeriais e privadas para tentar coibir as fraudes na saúde, mas elas pouco avançaram. “Faltou vontade política e popular. Mas parece que o novo governo está mais interessado em combater as fraudes e a corrupção na saúde,” afirma Luiz Carneiro, superintendente-executivo do IESS.

Criada em 2013, a Lei Anticorrupção prevê responsabilidade civil e administrativa, mas ela se aplica apenas a empresas que lesam a administração pública e estrangeira, não atingindo o setor privado.

“Pela atual legislação, só existe corrupção se houver agente público envolvido. Precisamos mudar isso, olhar para o sistema de saúde como um todo. As fraudes aumentam os custos da saúde, trazem risco aos pacientes”, diz Carneiro.

No final, é o usuário que arca com a conta das fraudes, já que o aumento de custos é repassado para a mensalidade.

Estudos internacionais apontam três práticas para combater fraudes na saúde: leis anticorrupção que resultem em multas e sentença penal; transparência por meio da adoção de tecnologias (prontuário eletrônico, softwares financeiros, etc) e novos modelos de pagamento.

Segundo José Figueira, sócio da PwC Brasil, há muito o que avançar no país, a começar por atuação mais efetiva e transparente dos conselhos em relação aos médicos que praticam fraudes. ‘Os órgãos representativos são ainda muito tímidos em relação às medidas disciplinares.”

Entre 2007 e 2018, dos 4.931 recursos em processos éticos-profissionais analisados pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), 137 cassações de registro profissional foram mantidas, segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação. Ou seja, só 2,8% das decisões culminaram na perda da licença do médico.

Também falta um sistema centralizado e mais acessível com dados sobre médicos cassados. Segundo o estudo, há condenados por crimes que tiveram a licença profissional suspensa em determinado estado, mas que mantêm o registro ativo em outros.

Nos EUA, o cidadão pode pesquisar em uma base de dados do governo federal informações como cassações de registros e eventuais vínculos que médicos mantenham com a indústria da saúde. Pode saber, por exemplo, se o seu cardiologista recebe incentivos de farmacêuticas.

Em entrevista por email, José Fernando Maia Vinagre, corregedor-geral do CFM, diz que o conselho repudia qualquer insinuação de corporativismo na análise e julgamento de processos e que o trabalho é conduzido com respeito às regras legais, dando aos denunciados amplo direito à defesa e ao contraditório.

Diz ainda que os conselhos têm adotado medidas administrativas internas com objetivo de reduzir o tempo de tramitação dos processos.

Vinagre diz estranhar a informação de que profissionais com licença cassada em um estado mantenham registro ativo em outros, uma vez que, após a cassação, ela entra num sistema nacional de informação dos conselhos.

Ele diz que os conselhos dão ampla divulgação às penas, que são publicadas em diários oficiais e veículos de comunicação de grande circulação.

A pesquisa cita vários exemplos de outros países que poderiam inspirar o Brasil no avanço de legislações e outras medidas no combate e prevenção às fraudes na saúde.

Nos EUA e na África do Sul, um dos instrumentos é a participação do cidadão na fiscalização. O informante recebe proteção e recompensa federal por passar informações consistentes sobre práticas de corrupção, que acarretem na condenação dos envolvidos. Isso já foi discutido no Congresso Nacional brasileiro, mas, no final, a proposta foi vetada.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, por ano, são recuperados, mais de US$2 bilhões de fraudes no setor de saúde graças aos informantes. Em 2017, foram US$ 3,7 bilhões, dos quais 64% vieram de ações e acordos com empresas do setor de saúde.

Para Figueira, da PwC, a inserção do crime de corrupção privada no ordenamento jurídico brasileiro, aliado a medidas para estimular a denúncia e dar garantias ao denunciante, representaria a base para modificar o cenário no país.

“A fraude na saúde é um problema sério e um grande tabu no setor. Combatê-la reduz custos, torna a inflação médica menor e aumenta o acesso”, afirma o diretor de operações da Amil, Edvaldo Vieira.

Há dois anos, a Amil iniciou um movimento de combate a fraudes com o uso da tecnologia. No período, foram recebidas cerca de 4.000 denúncias, das quais 10% foram confirmadas.

Entre as mais frequentes, estão o uso de carteirinha por terceiros, reembolso de consultas e exames não realizados e a cobrança de insumos médicos não utilizados. “O hospital usa um par de luvas e cobra cem”, exemplifica Vieira.

Um outro movimento que tem crescido é a mudança do modelo de remuneração. No atual, chamado de fee-for-service (ou conta aberta), os reembolsos dos hospitais aumentam conforme a quantidade de procedimentos realizados, o que é um estímulo para desperdícios e fraudes.

Um formato que começa a ser discutido é o DRG (grupo de diagnósticos relacionados, na sigla em inglês). Nele, os pacientes hospitalares são classificados conforme tipos de diagnóstico e consumo de insumos médicos. O pagamento leva em consideração a média de custos dos grupos de pacientes, e não casos isolados. A Unimed Uberlândia (MG) realiza experiências com o DRG. Já Amil adotou o ABP (pagamento por orçamento ajustável, na sigla em inglês). Ele analisa o histórico de custos do hospital e, com base na média anual, oferece uma remuneração fixa mensal.

Como acontecem as fraudes

Entre o beneficiário, médico e operadora de saúde

O usuário omite a existência de doença pré-existente.

O usuário empresta carteirinha do seu plano para uma outra pessoa

O médico, com a concordância do usuário, informa serviço diferente do realizado para obter cobertura do plano

Valores dos serviços são majorados para aumentar o reembolso a ser recebido do plano.

Entre prestador de serviço e operadora de saúde

Hospital declara ao plano que utilizou um número maior de materiais ou diz que utilizou produtos de melhor qualidade (e cobra por isso) do que efetivamente usou.

Médico prolonga desnecessariamente o período de internação para aumentar o número de diárias do plano de saúde

Entre fornecedores e profissionais de saúde

Fornecedores ou seus distribuidores oferecem uma porcentagem de comissão ao profissional para que ele indique ou use o seu medicamento ou dispositivo médico.

Médico indica um tratamento ou medicamento que não é coberto pelo plano ao paciente. Advogado, em conluio com o médico, judicializa a demanda para que o plano seja obrigado a pagar. Médico e advogado podem receber comissões dos fornecedores e distribuidores.

Entre operadoras e demais agentes

Plano de saúde veta (glosa) pagamentos a hospitais de maneira injustificada com objetivo de manter capital de giro ou diminuir o valor a ser pago.

Plano de saúde atrasa intencionalmente o pagamento de contas

Conflito de interesse de acionista em comum de operadora de plano de saúde e hospital, que utiliza sua posição para beneficiar as operações da operadora.

Acesse o estudo completo: aqui

Fonte: Estudo “Arcabouço Normativo para a Prevenção e Combate a Fraudes na Saúde Suplementar no Brasil” e jornal Folha de S. Paulo

O segredo para viver cem anos está em suas mãos, não em seus genes

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Todos nós conhecemos famílias nonagenárias, que parecem indestrutíveis. Mas o que está por trás de sua longevidade? Até agora se pensava que "a diferença entre os que vivem muito e os que vivem pouco dependia entre 15% e 30% da genética", explica Miguel Pita, professor de Genética no Departamento de Biologia da Universidade Autónoma de Madrid (UAM), e autor do livro El ADN Dictator (2017). No entanto, um novo estudo publicado na revista Genetics joga por terra esta ideia.

A pesquisa, intitulada As Estimativas da Hereditariedade da Longevidade Humana Estão Substancialmente Infladas Por Causa da Combinação Seletiva, foi conduzida por um grupo de pesquisadores radicado na Califórnia (EUA) que comparou 54 milhões de árvores genealógicas do Ancestry, um banco de dados que conecta pessoas de todo o mundo com seus ancestrais. De acordo com os resultados, os genes influenciam, mas muito menos do que se pensava anteriormente. Apenas 7%

A genética atua a partir da oitava década

As conclusões são relativamente surpreendentes, embora a ciência já soubesse que o DNA pesava menos que o estilo de vida. "A ideia geral que tínhamos até agora era que, nas sete ou oito primeiras décadas de vida, o estilo de vida é mais importante que a genética", diz Pita. "Digamos que o estilo de vida se sobrepõe ao efeito da genética. Se você consegue manter uma dieta saudável, com pouco álcool, pouco fumo e muito exercício, viverá muito mais do que se não fizer isso, independentemente da genética que tenha."

É a partir da sétima e oitava décadas que a genética intervém, acrescenta este especialista: "Todas aquelas pessoas que são nonagenários e centenárias, além de terem tido um estilo de vida adequado, tendem a possuir uma determinada genética". O professor Pita dá dois exemplos: "A genética é importante porque, se você tem uma propensão muito grande ao câncer, obviamente a duração de sua vida será afetada". No entanto, ele faz uma comparação com o talento para a música. "Todos podemos nos esforçar e tocar violão mais ou menos bem, mas, para sermos um gênio, precisamos de uma certa genética", diz ele.

A novidade deste estudo está na maneira como os dados foram analisados, e é isso que é enfatizado no complicado título. "O que diz é que a diferença entre viver muito ou viver um pouco por causa da influência da genética não é muita. Que é maior a influência ambiental." Este trabalho demonstra que os estudos anteriores que apontavam que os genes tinham 30% da culpa por alguém viver pouco ou muito não foram muito bem feitos: “Baseavam-se em uma combinação seletiva, de modo que, quando parecia que duas pessoas tinham a mesma genética, o que elas tinham, na verdade, era o mesmo ambiente”.

A importância do estrato social

"Os cálculos eram feitos com duas pessoas que tinham a mesma genética porque eram irmãs: via-se que viviam mais que outras duas pessoas que também eram irmãs e tinham outra genética", diz o professor. Em vez disso, "este trabalho não analisa só a genética do primeiro par de irmãos, mas também estuda o que acontece com os cunhados. E comprova que os dois irmãos e o cunhado do primeiro grupo vivem mais que os dois irmãos e o cunhado do segundo grupo ", continua o especialista.

Conclusão: não é genética, porque os cunhados não compartilham a genética. "O que se vê é que pessoas com características semelhantes, a mesma origem social e até traços físicos semelhantes tendem a combinar entre si, de modo que não são seus genes o que as faz viver mais tempo; é que estão se agrupando entre si”, afirma o especialista. Ou seja, pessoas do mesmo extrato social tendem a se casar com pessoas da mesma condição e é isso que as faz viver mais do que outras.

Isso não significa que, com melhorias na genética, não iremos viver mais. "A genética é muito importante", diz Miguel Pita. "Se identificamos quais são os genes que causam aumento da mortalidade e administramos os medicamentos para combatê-los, a longevidade aumentará muito. Embora pareça que a genética não influencia muito, pode, sim, aumentar muito a expectativa de vida." Parece contraditório, mas não é. "A genética pode fazer com que todos nós vivamos mais. Sempre haverá um ambiente no qual ela influencia mais do que em outro, mas o controle dos genes aumentará a longevidade", conclui o especialista.

Fonte: Jornal El País

Os maus hábitos e o estresse no trabalho são contagiosos

Diz o ditado que uma laranja podre pode arruinar um cesto inteiro. O mesmo acontece quando as pessoas interagem dentro do mesmo grupo: os estados de espírito são transmitidos quando compartilhamos espaço e experiências por muito tempo. Se seus colegas de trabalho vivem estressados, aumenta a probabilidade de você ter o mesmo destino. Isso acontece entre iguais, mas também na relação chefe-empregado: o estado de espírito de quem manda condiciona o desempenho dos funcionários e afeta a produtividade da empresa.

Estresse, ação viral

Diversos estudos confirmam, segundo o Colégio Oficial de Psicólogos, que o estresse é contagioso: os profissionais afetados por essa doença não são distribuídas aleatoriamente em diferentes departamentos. Tendem a se localizar nos mesmos grupos, o que faz supor que o estresse é um componente do ambiente social e que há “unidades de trabalho tóxicas”, segundo explica José María Peiró, catedrático de Psicologia do Trabalho e recursos humanos. “De fato, o primeiro motivo para deixar um emprego são as más relações interpessoais, acima do salário”, afirma.

Processos como a imitação e o contágio, o estilo de liderança e as relações com os colegas contribuem para entender por que há organizações ou departamentos tóxicos. Observar alguém que está estressado tem um efeito imediato em nosso sistema nervoso. Uma pesquisa realizada por pesquisadores de várias universidades alemãs descobriu que 26% das pessoas demonstram níveis altos de cortisol só de observar alguém tenso. De fato, o estresse pode ter cheiro. Quem sofre disso transpira hormônios característicos que são captados pelos demais, segundo um estudo do Monell Chemical Senses Center da Filadélfia. A negatividade e o estresse podem, literalmente, flutuar no ar.

Do patrão para o empregado

Daniel Goleman, psicólogo, antropólogo, jornalista e especialista em inteligência emocional, disseca como esse contágio acontece entre os altos escalões e seus funcionários, e como pode condicionar o desempenho da empresa. Durante sua última pesquisa, Goleman descobriu que, de todos os elementos que afetam o rendimento final, a importância do estado de espírito do líder e seus comportamentos são muito influentes: é transmitido em uma organização como a eletricidade passa pelos fios.

O responsável por essa relação entre a emoção dos líderes e o comportamento de seus funcionários é o sistema límbico: uma estrutura cerebral considerada o centro da gestão emocional dos seres humanos. Trata-se de um circuito aberto que depende de fontes externas para ser administrado. Ou seja, o que acontece no mundo que nos rodeia condiciona a atividade de nosso sistema límbico: dependemos das conexões com outras pessoas para determinar nosso estado de espírito. A pesquisa em neurobiologia afirma que uma pessoa transmite sinais que podem alterar os níveis hormonais, as funções cardiovasculares, o ritmo do sono e até o sistema imunológico do corpo de outra pessoa. Assim, em todos os aspectos da vida social, nossa fisiologia se entremescla.

As ações também

Ainda que o contágio emocional não fosse ameaça suficiente para o ambiente profissional, também é necessário levar em conta a influência dos maus hábitos. Um funcionário chega a seu novo posto e se adapta à forma de trabalhar de seus colegas. Mas, sem perceber, em vez de questionar a situação de um ponto de vista independente do grupo, age por inércia e soluciona o problema da mesma forma que seus colegas. Já se sabe: em Roma, faça como os romanos.

O habitual é que quem chega tende a agir como os demais, o que perpetua os maus hábitos que o grupo já adquiriu. Questionar o status quo e atrever-se a mudar a forma como as coisas sempre foram feitas continua sendo uma batalha de titãs para muitos, apesar de várias pesquisas terem demonstrado que a diversidade cognitiva é chave para resolver os problemas mais rápido.

Então o que impede o indivíduo que tem uma ideia brilhante de se manifestar diante de um grupo? A explicação vem da psicologia social, que se encarrega de pesquisar como e por que o comportamento de uma pessoa muda quando se relaciona com os outros. Nesse caso, os responsáveis pela imitação do comportamento dos demais e a repetição sem questionamento são os vieses cognitivos. Ou seja, as interpretações erradas e inconscientes que nosso cérebro faz da realidade.

Um dos envolvidos nesse assunto é o efeito de contágio: a tendência a pensar que se todos fazem, é porque têm um bom motivo. Nesses casos, costumamos pensar que nos falta informação e confiamos que a maioria não pode estar enganada. E há uma explicação evolutiva. Nosso cérebro aprendeu que costuma ser mais seguro agir como as pessoas à nossa volta. Se alguém grita “Fogo!” no meio do cinema, você sairia correndo? Só se todos os demais fizerem isso. A maioria concorda, mas não implica que tenha razão.

O fato de ninguém se levantar da sala não significa que o edifício não esteja em chamas. Aí é que está o perigo do viés. Quando o funcionário se deixa levar pelo efeito de contágio, pode estar perpetuando práticas que seu grupo desempenha, mas que não estão contribuindo para a empresa.

Fonte: Jornal El País

Planos de saúde individuais terão novo índice de reajuste anual a partir de 2019

O índice de reajuste anual dos planos de saúde individuais e familiares terá nova metodologia de cálculo a partir do ano que vem. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (20).

O reajuste é calculado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e só pode ser feito pelas operadoras a partir da data de aniversário de cada contrato.

O novo cálculo leva em conta a variação das despesas médicas das empresas nos planos individuais e a inflação geral da economia. Até então, o índice era definido com base nos reajustes dos planos coletivos com mais de 30 beneficários – neste ano, ficou em até 10%.

O novo índice reduz o tempo entre o período de cálculo e o de aplicação do reajuste pelas empresas. Segundo a ANS, isso vai agilizar a transferência da eficiência média das operadoras para os beneficiários, o que deve resultar na redução do percentual de reajuste.

"Esse modelo é um grande passo para a ANS, para os beneficiários de planos de saúde e para o setor regulado. É uma forma mais eficiente e transparente de cálculo e vai refletir com maior exatidão os custos em saúde", diz em nota o diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS, Rogério Scarabel.

Ele destaca, porém, que o custo final do plano de saúde é impactado por fatores como aumento da frequência de uso e inclusão de novas tecnologias "que não são aferíveis previamente".

Entenda o novo cálculo

O novo Índice de Reajuste dos Planos Individuais (IRPI) é resultado da combinação de dois outros indicadores: do Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA) e do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), excluindo deste último o subitem "Plano de Saúde".

Na fórmula, o IVDA terá peso de 80% e o IPCA, de 20%.

O IPCA é a medida oficial da inflação brasileira, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele incide sobre custos como despesas administrativas, por exemplo.

Já o IVDA leva em conta três componentes relacionados aos custos das operadoras de saúde com o atendimento aos beneficiários dos planos: a Variação das Despesas Assistenciais (VDA), a Variação da Receita por Faixa Etária (VFE) e o Fator de Ganhos de Eficiência (FGE).

O VFE deduz da receita das operadoras a parcela que já é recomposta pelos reajustes por mudança de faixa etária dos beneficiários. Já o FGE é um índice de eficiência apurado a partir da variação das despesas assistenciais. Segundo a ANS, o FGE vai transferir para os consumidores a eficiência média do setor, evitando um modelo de repasse automático da variação de custos.

A proposta da nova metologia foi discutida internamente pela ANS e em audiências públicas.

Fonte: Portal G1

O futuro da medicina

São muitas as promessas de inovações que irão revolucionar a medicina. A revista National Geopraphic de Jan/19, embarcou na onda e traz uma extensa e fascinante cobertura sobre o tema. Muito se fala em Medicina de Precisão, onde se utiliza o mapeamento genético do indivíduo para auxiliar na precisão dos tratamentos que ele será submetido. O interessante é que a nossa Saúde também será impactada por esse mesmo conceito. Através do constante monitoramento, a “Saúde de Precisão” utilizará dados detalhados para auxiliar as pessoas a adaptarem seus comportamentos para fazer escolhas de vida mais saudáveis. O objetivo é através de uma quantidade enorme de dados e o uso de inteligência artificial, que possamos ser mais precisos na prevenção de doenças.

A cobertura completa pode ser acessada aqui: The Future of Medicine

Fonte: Revista National Geographics

Tudo que você precisa saber sobre Saúde Bucal

Saúde Bucal
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5 DICAS PARA MANTER A SAÚDE BUCAL EM DIA:

Saúde Bucal
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Não deixe para ir ao dentista somente quando surgir algum problema.
Faça pelo menos uma visita anual para limpeza e prevenção!

Fonte: Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde

Portabilidade de carências passará a valer para plano de saúde empresarial

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Uma nova regra da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) permitirá que beneficiários de planos de saúde empresariais utilizem a portabilidade de carências caso queiram mudar de plano ou de operadora.

A novidade passa a valer em junho de 2019, quando termina o prazo de 180 dias que as operadoras possuem para se adaptarem. Com a mudança, o consumidor terá de cumprir carência apenas para as coberturas não contratadas no plano de origem.

A nova norma, aprovada nesta segunda-feira (3), também retira a exigência da chamada “janela” – o prazo para exercer a troca – e deixa de exigir compatibilidade de cobertura entre planos para exercício da portabilidade. Anteriormente, havia um período limitado a quatro meses no ano para o exercício da portabilidade, contados da data de aniversário do contrato.

“A portabilidade de carências passa a ser um direito efetivo de todo consumidor de planos de saúde”, diz em nota Rogério Scarabel, diretor da ANS, sobre a extensão do benefício aos clientes de planos empresariais.

A medida da ANS pode ajudar beneficiários que são demitidos ou que se aposentam. Hoje, quando um empregado deixa a empresa, precisa cumprir novos períodos de carência ao mudar de plano de saúde. A portabilidade permite que o beneficiário do plano empresarial escolha outro produto sem prazos extras de carência. Ela poderá ser exercida no prazo de 60 dias, a contar da data da ciência pelo beneficiário da extinção do seu vínculo com a operadora.

Os prazos de permanência para a realização da portabilidade continuam os mesmos. São exigidos mínimo de dois anos de permanência no plano de origem para solicitar a primeira portabilidade e mínimo de um ano para a realização de novas portabilidades.

A ANS alterou também as regras para exercício da portabilidade especial, medida adotada para que beneficiários de operadoras em liquidação ou com graves problemas administrativos ou assistenciais possam trocar de plano. A nova regra permite que não seja exigida compatibilidade de preço a esses clientes.

Fonte: Portal UOL

Uma Terapia Para Os Planos de Saúde

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Há cerca de dois anos, o economista Leandro Fonseca começou a ter sintomas típicos de uma sinusite. A cabeça doía, a sensação era a de uma gripe mal curada. Decidiu procurar um médico, que não teve dúvidas após examiná-lo:

"Você está com sinusite". Apesar da segurança no diagnóstico, solicitou um exame de tomografia computadorizada. "Mas precisa mesmo? O senhor já não sabe o que tenho?" "Sim, eu sei, mas quero ver a extensão." Fonseca não se convenceu. Recusou a ideia da tomografia e, demonstrando conhecimento no assunto, indagou: "O senhor pode me passar um pedido de raio x? Esse é o protocolo, não?". Poucos questionariam o médico que pede um exame mais sofisticado, aparentemente preocupado com o bem-estar do paciente. Mas o episódio ocorreu com quem trata do assunto diariamente.

Fonseca é presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde do país. No dia que teve os sintomas de sinusite, ele conseguiu deixar o consultório com um pedido de radiografia, como recomenda a conduta de um especialista nesse caso. A maioria das pessoas, porém, que não entende de protocolos médicos, sequer levantaria dúvidas.

O Valor reuniu cinco especialistas para um debate sobre os problemas da saúde complementar no Brasil: Paulo Chapchap (diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês), José Cechin (diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar - Fenasaúde), Maurício Ceschin (especialista em administração hospitalar), Márcia Agosti (responsável pela gestão de saúde da GE) e o presidente da ANS, Leandro Fonseca. Todos admitem a necessidade de uma drástica e urgente mudança no modelo da saúde suplementar no país.

O setor enfrenta problemas de toda ordem. A fragmentação no atendimento e nos procedimentos induz a excessos, desperdícios e fraudes. Como se fosse numa indústria, o modelo de remuneração incentiva a produção e o consumo de procedimentos, sejam exames ou mesmo cirurgias. Além disso, as grandes operadoras deixaram de vender planos individuais porque o reajuste é controlado pela ANS, a agência reguladora do setor. O cliente mais cobiçado são as empresas, com as quais as operadoras negociam diretamente.

Os valores, no entanto, disparam por causa de deficiências no sistema não tratadas. Em 2017, os planos empresariais aumentaram 17,91%. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA foi de 2,95%. Nas empresas que oferecem o benefício, os planos de saúde representam a segunda maior despesa com pessoal, perdendo apenas para salários. Se no passado a inflação escondia essa escalada de custos, a crise econômica escancarou a gravidade da situação.

A saúde suplementar conta com 47,3 milhões de usuários, o que equivale a pouco mais de 22% da população brasileira. O número já foi maior. No entanto, com a crise, nos últimos quatro anos, mais de 3 milhões de pessoas ficaram sem convênio. A maioria pela perda de emprego. Hoje, dois terços dos planos são bancados por empresas, e a receita anual do setor beira R$ 180 bilhões.

O aumento dos custos levou as empresas a aprofundar o conhecimento em saúde para assumir funções antes delegadas apenas às operadoras. O movimento levou à criação de grupos de discussão. E executivos de alto escalão, incluindo presidentes das companhias, passaram a se interessar por um assunto que há algum tempo era tratado apenas pela área de recursos humanos.

Médico de família

No debate organizado pelo Valor, as internações aparecem entre os principais vilões do aumento dos custos. Não só porque representam metade das despesas das operadoras de planos de saúde, mas, também, porque registraram os maiores percentuais de aumentos de preços. Dados da Fenasaúde indicam que, entre 2011 e 2017, o custo médio com internação subiu 80%, quase o dobro da inflação. Na defesa dos hospitais, Chapchap, do Sírio-Libanês, cita o envelhecimento da população. "Há uma enorme diferença entre fazer uma cirurgia de vesícula ou de fígado em um indivíduo de 45 anos saudável e em um de 85 com uma série de complicações", afirma.

Novas tecnologias também tornaram os procedimentos mais caros. "A expectativa de vida, no mundo e no Brasil, avançou muito nos últimos anos em decorrência do uso de mais tecnologia na saúde", diz. Especialista em transplante de fígado, Chapchap reconhece, porém, que há indicações de procedimentos desnecessários, como exames e internações. "Não importa que eu seja o melhor cirurgião do mundo, execute o trabalho sem complicações, sem desperdícios de materiais e o paciente saia bem se o procedimento for desnecessário", afirma.

A melhor forma de lidar com a questão, concordam os especialistas, seria mudar o modelo de consulta inicial. Em vez de o paciente tentar "adivinhar" qual especialidade vai aliviar sua dor, ele passaria por um médico de atenção primária. Ou, como muitos chamam, um médico de família. Esse clínico geral é capaz de encaminhá-lo ao especialista mais indicado. Ou, então, ele próprio prescreverá o tratamento. Esse tipo de triagem tem se mostrado eficaz em países onde o serviço público de saúde transformou-se em referência mundial.

É o caso do Reino Unido. Há quatro anos, o Sírio-Libanês implantou esse modelo no atendimento dos próprios funcionários e recentemente passou a oferecer o serviço a empresas, como o banco Santander, que disponham de estrutura adequada para oferecer um médico de atenção primária em ambulatório dentro das suas próprias instalações.

A seguradora SulAmerica oferece pediatras que vão até a casa do usuário. Segundo dados da Mercer Marsh, consultoria especializada em saúde, além de mais eficiente, a iniciativa traz economia. Em média, o custo da SulAmerica com o atendimento de uma criança em pronto-socorro não sai por menos de R$ 700. Já o serviço em domicílio fica em torno de R$ 200. A ideia, agora, é estender esse atendimento a idosos, que poderiam receber o geriatra em casa.

Se a "porta de entrada" passar a ser a consulta em um generalista, haverá necessidade de mais médicos com esse perfil. Os especialistas concordam que o clínico geral está quase em extinção. A especialização em problemas de alta complexidade passou a ser profissionalmente mais atrativa.

"Quando você cria distorções no sistema, como um modelo de remuneração que incentiva o consumo e uso de tecnologia, toda especialidade que tem pouco uso de tecnologia tem menos valia. É por isso que sumiram leitos de pediatria, de ginecologia e obstetrícia. É por isso que os clínicos gerais não se formam mais. São mal remunerados porque não têm valores agregados", diz Ceschin. Para ele, optar pelos generalistas significa "voltar a fazer a medicina como deveria ser". A valorização das especializações, em detrimento à triagem inicial, leva o usuário a perder-se no sistema, segundo os debatedores. Para Fonseca, da ANS, o modelo de pagamento por procedimento faz com que "cada um olhe um pedacinho do paciente". Segundo ele, a ANS tem procurado incentivar a gestão de saúde para que a operadora não seja uma mera intermediária. "Hoje, de modo geral, a operadora pega o dinheiro da mensalidade, faz a gestão do risco e paga o prestador", afirma.

Abusos e desperdício

Quem já não passou pela experiência ou conhece alguém que alguma vez ficou internado além do tempo aparentemente necessário? Abusos existem, concordam os participantes da mesa-redonda. Mas não é fácil apontar culpados. O consumidor foi diversas vezes citado, ao longo do debate, como suscetível a não questionar procedimentos por ter um plano de saúde que lhe dá o direito ao melhor atendimento. Seu desinteresse pelo quanto a operadora vai gastar com sua saúde o coloca na berlinda. O assunto é delicado e provoca longas discussões. Chachap insiste na necessidade da atenção primária. "Vou dizer como médico: é muito difícil coibir isso - excesso de procedimentos e de uso de materiais - depois que o paciente chega à emergência. Se você tem uma grande dor de cabeça com algum efeito físico - acontece até na enxaqueca - e vai até um consultório, o profissional vai medicar, esperar meia hora e ver se aquilo resolve. Mas se você vai a uma unidade de emergência, ai do meu médico se ele não fizer uma ressonância. Porque aquele é o último lugar aonde o indivíduo foi. Não tem outra oportunidade. Se ele sair de lá e tiver um AVC, é indesculpável. Então, a porta de entrada tem que mudar", diz. Ceschin aponta as falhas do setor. "Nós chegamos aqui por uma razão muito simples: induzimos o usuário a um tipo de comportamento, ao longo dos últimos 30 anos da saúde suplementar, atrelando qualidade a tecnologia. Tudo que era anúncio de televisão de operadora mostrava um helicóptero, um tubo, um sujeito subindo no helicóptero. Dissociamos a relação entre médico e paciente e focamos em tecnologia. Isso é culpa do setor. O que acontece, depois de 30 anos? O sujeito que, quando nós nos formamos, ia ao consultório perguntar o que achávamos que ele tinha, hoje chega falando: 'Eu vim aqui fazer uns exames'. O que o médico acha é quase irrelevante". Chapchap diz que é comum ouvir pacientes dizerem: "Pode fazer o que for necessário, doutor, porque meu plano cobre".

Mas será o usuário, então, o maior responsável? Ninguém discorda que o paciente não faz exames se os médicos não pedirem. Márcia Agosti, que comanda a área de gestão de saúde da GE, diz que, pela falta de iniciativas, as empresas que pagam planos de saúde estão assumindo a função. "Não temos uma distribuição de conhecimento sobre saúde diplomática o suficiente, democrática o suficiente para que uma pessoa diga ao médico: 'Não, eu acho que não devo fazer a tomografia porque, afinal de contas, o artigo tal...'. O que restou para nós, fontes pagadoras? Estamos fazendo esse trabalho. Ligamos para toda a rede de médicos e hospitais para negociar", afirma a executiva, em referência ao programa da GE. Segundo ela, a empresa entra em contato com os maiores prestadores de serviço de cada uma das sete operadoras de planos de saúde que atendem a empresa e monta um grupo de médicos parceiros, que concordaram em alinhar preços.

"Como nosso plano é de pós-pagamento, consigo negociar", afirma ela. "É importante para quem paga a conta que alguém o ajude. Se a operadora entende que não é o papel dela conversar com o médico ou com o hospital." Márcia sugere valorizar o médico que se compromete com as pessoas. "Não são todos, mas eles existem, sim. Quem vai fazer esse papel? Todos temos que fazer. Agora, atribuir ao usuário a responsabilidade de educar o médico? Para mim, é, no mínimo, covarde. Ele não tem como questionar. Por isso, ele diz: 'Não gostei daquele médico, pediu exames demais e eu tenho coparticipação'. Ele, então, procura outro, outro... No fim, quem paga a conta?"

Remuneração e coparticipação

A polêmica traz à tona o modelo de remuneração. Os debatedores dizem não ter dúvidas de que o "fee for service", ou pagamento por utilização, é inadequado para alcançar uma boa gestão de saúde. Chapchap afirma que existe muita dificuldade para sair desse modelo. Tanto que, nos Estados Unidos, segundo ele, em torno de 70% dos serviços de saúde ainda são pagos dessa forma. Ele sugere que o Brasil faça uma mudança gradual. Outro ponto polêmico é a coparticipação, modalidade muito usada nos planos de saúde, em que o consumidor, além da mensalidade que ele ou o empregador pagam, tem que arcar com uma parte do valor da consulta ou exame, por exemplo. A coparticipação surgiu para inibir o uso excessivo do plano e, em princípio, seria cobrada apenas para procedimentos de baixa complexidade.

Recentemente, no entanto, para reduzir as queixas contra os aumentos das mensalidades, algumas operadoras começaram a incluir a coparticipação em procedimentos mais complexos e, portanto, mais caros. Hoje não há limite do percentual que cabe ao paciente arcar. Em meados do ano, a ANS criou uma norma limitando a coparticipação em 40% e isentando da cobrança em torno de 250 procedimentos, além de internação e atendimento em pronto-socorro.

A medida provocou muitas divergências de opiniões entre operadoras, usuários e órgãos de defesa do consumidor. Há pouco tempo, a ANS abriu o debate, já abordado até em audiência pública. Os resultados da audiência e as novas regras de coparticipação ainda não foram divulgados.

Para Fonseca, o objetivo da coparticipação é incluir o usuário na discussão. Para Ceschin, essa ferramenta está longe de ser a solução do problema. "Acho que tem de haver a educação do usuário, da mesma forma que tem de haver a educação do médico. Diretrizes clínicas são uma forma de caminhar nesse sentido, e percebemos que isso tem sido utilizando cada vez mais. Com os prestadores há uma série de atitudes a tomar. Com operadoras, mais um tanto. Com a indústria, outro tanto", afirma.

Planos individuais

Diferentemente dos convênios empresariais, negociados diretamente com as operadoras, no plano individual os aumentos são fixados pela ANS. Isso leva ao desinteresse das operadoras em oferecer esse tipo de produto, cujo reajuste definido pela agência reguladora para este ano é de até 10%. A previsão de aumento dos empresariais é de 19%.

Cechin, da Fenasaúde, lembra que há mais de dez anos várias operadoras de grande porte pararam de vender o convênio médico para pessoa física. "Tomo isso como um sinal de que algo está errado na regulamentação", diz. Para ele, apesar de a regra tentar proteger o consumidor, o problema é que agora ele não encontra esse tipo de plano porque não há "um mínimo de segurança" para a operadora colocá-lo no mercado". Ele defende reajustes periódicos, além do que é definido anualmente.

"Uma pessoa compra um plano e inclui o filho recém-nascido. Essa criança tem o direito a permanecer no plano enquanto ela existir. Ou seja, um horizonte de 80, 90 anos. Vocês, que são médicos, dizem que 90% da tecnologia que se pratica hoje não existia há 15 anos; imaginem daqui a 90", destaca o representante das operadoras. Fonseca reage: "Discordamos da postura do mercado de querer liberar o reajuste de plano individual. Acho necessário algum grau de proteção do consumidor. Mas podemos ter, sim, um aprimoramento regulatório nesse sentido, para diminuir um pouco a insegurança em relação ao reajuste". O presidente da ANS defende, ainda, a parte da regulamentação que estabelece a impossibilidade de rescisão do contrato de forma unilateral pela operadora em planos individuais exceto em caso de inadimplência. "Imaginem se pudesse cancelar? Você compra um plano e a operadora cancela quando começa a usar demais?", questiona Fonseca. Segundo ele, a ANS calcula os reajustes com base em informações de mercado.

Para Ceschin, as saídas não estão necessariamente só na regulamentação, mas no desenvolvimento de produtos alternativos. Márcia, da GE, diz que enquanto o Estado define que a população dos planos individuais tem que ser protegida, cabe ao resto da cadeia reorganizar o serviço. "Temos que desenvolver esse exercício de transformação porque a regulação não pode ter o papel de 'para porque você está abusando', mas sim de 'para porque não está funcionando'. Temos dados suficientes com transparência, que as próprias operadoras passam para a ANS. Eu, como fonte pagadora, quero ter acesso. Porque eu quero saber o que realmente eu estou pagando." O tema é complexo, com muitos desafios pela frente. "Eu achava que a Previdência era complexa, mas a saúde é mil vezes mais. Nós vimos aqui", diz Cechin, ao fim do debate. A comparação é fácil para ele, que foi ministro da Previdência no governo de Fernando Henrique Cardoso. "Uma coisa é você dizer para o indivíduo: 'Olha, vivemos mais', o que é bom, mas, por causa disso, o gasto com a Previdência sobe muito, e as contribuições não bastam. Temos, portanto, que adiar a data da aposentadoria'. Outra coisa é dizer que o problema está na fraude, está no desperdício."

Para Ceschin, uma maneira eficiente de mudar o modelo de financiamento do setor é "sair do mutualismo como princípio e começar a fazer capitalização individual". Como acontece na previdência privada. Essa seria uma forma, afirma, de a pessoa se preparar para financiar a saúde no período que tem baixa renda e maior incidência de doenças - ou seja, quando fica idosa. "Porque hoje o indivíduo é expulso do sistema pelo preço quando ele fica velho", afirma.

Para os especialistas, a estrutura da saúde suplementar exige mudanças de cultura e de comportamento. A começar pela equipe médica. Chapchap conta sobre um teste com dez médicos do hospital que dirige. Por meio de uma ferramenta usada mundialmente, foi medida a eficiência médica no procedimento mais realizado no hospital: colecistectomia, que consiste na retirada de vesícula por causa de cálculos. Nessa cirurgia são usados seis clipes.

Os melhores resultados foram obtidos por quem optou pelo procedimento com clipador manual, que custa R$ 300. O automático, cuja única vantagem é o insignificante ganho de tempo de 30 segundos, custa R$ 3,5 mil. Ao mostrar as comparações para a equipe um dos cirurgiões questionou: "Mas o hospital não ganha mais dinheiro quando usa o mais caro?" Chapchap respondeu: "Ganha hoje, mas, no futuro, ficará insustentável”.

Fonte: Jornal Valor Econômico

Como o smartphone “sequestra” seu cérebro e o deixa preguiçoso e desatento

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É chegar uma notificação no seu celular para o seu cérebro começar a se assanhar. Isso nem sempre quer dizer que o aparelhinho é capaz de ampliar suas faculdades mentais e deixar seu raciocínio mais afiado, sua memória mais potente ou sua concentração mais aguçada.

Psicólogos e neurocientistas que estudam o assunto não encontraram uma resposta definitiva sobre os efeitos do celular e de outros dispositivos do mundo tecnológico sobre o cérebro, mas já têm dados que chamam a atenção. O volume gigantesco de estímulos produzidos por gadgets está relacionado com deterioração da memória, dificuldade de peneirar informações inúteis, aumento nas taxas de ansiedade e estresse e até num desperdício de capacidade cerebral.

Esses efeitos não estão tão longe de você. Levante a mão quem nunca dez isso: pausou Netflix para responder WhatsApp; não voltou ao vídeo porque foi ver comentários a uma foto no Instagram; e, antes de ler tudo, já estava abrindo o Facebook para ver a nova polêmica no textão do amigo.

Em termos de sequestrar sua atenção, smartphones, computadores e aplicativos são craques, mas não inventaram a roda. Apenas maximizaram um sem número de truques para você não largar deles. E, é claro, seu cérebro cai em várias armadilhas.

Ciclo vicioso do prazer

“Quando você recebe notificações e alertas, seja no computador ou no telefone, você cria uma resposta condicionada para reagir automaticamente a eles. Você pode dizer que isso está afetando “seu cérebro” ao criar o hábito de um gatilho neurológico”, conta a psicóloga norte-americana Susan Weinschenk, consultora em neuropsicologia e autora do livro “Neuro Web Design – What Makes Them Click?”

Esse condicionamento pode ser feito com qualquer coisa – por exemplo: programar-se para passear com o cachorro todo dia de manhã após tomar café. Mas a onipresença desses aparelhos e a imprevisibilidade com que os diversos apps enviam alertas faz com que esse gatilho não tenha hora nem lugar para disparar.

‘O smartphone deixa a gente conectado 24 horas por dia”, diz a psicóloga Janaina Brizante, diretora do laboratório de neurociência da Nielsen. “Cada vez que você aperta a bolinha do celular, recebe uma injeção de neurotransmissores que te dão uma sensação de bem-estar”, completa. Entre eles, está a dopamina.

Se você já se pegou rolando o feed no Facebook ou no Instagram por horas e horas sem objetivo nenhum, saiba que você já foi pego pelo “loop da dopamina”, um ciclo vicioso de bem-estar que faz seu cérebro esquecer do mundo, conforme explica Weinschenk.

Esse neurotransmissor age em diferentes áreas, como o pensamento, o humor, a atenção e a motivação. Mas também é responsável por você sentir prazer. À medida que você vai recebendo curtidas e lendo comentários em redes sociais, por exemplo, a dopamina vai promovendo uma sensação gostosa de bem-estar.

“seu cérebro entra em uma ciclo vicioso para receber prazer”, explica o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Ansiedade e tensão

Só que, ao notar a inundação de dopamina, o cérebro cria uma trava para impedir que qualquer meia dúzia de curtidas leve ao êxtase. “Ele cria uma tolerância para que, se dessa vez foram precisos 8 minutos para liberar dopamina, da próxima sejam necessários 15 minutos”, explica.

Para completar, como o sistema que libera o neurotransmissor é sensível a pistas de que algo agradável está para acontecer, basta uma notificação para que fique em estado de alerta. Esse processo vai treinando nossos cérebros, à base de uma boa dose de estresse, para esperar notificações, diz o endocrinologista norte-americano Robert Lustig.

“Isso tem gerado bastante ansiedade. E faz que algumas pessoas fiquem o tempo todo checando se há coisa nova no celular”, diz Brizante.

Pagando o pedágio

Além de possuírem todas as artimanhas para nos abduzir a qualquer momento, os smartphones executam inúmeras funções, de tocar música a enviar mensagens. São, por excelência, um aparelho multitarefa. Só que toda vez que você pula de um app para outro, seu cérebro paga um “pedágio” em capacidade de processamento. Fazer isso intensamente pode comprometer até 40% do tempo produtivo do cérebro, estima o psicólogo David Meyer.

Essa constante interrupção associada ao “loop da dopamina” tem efeitos negativos, aponta Lustig, já que libera injeções de cortisol (o hormônio do estresse) quando uma atividade é interrompida e de dopamina, quando outra é iniciada.

Sedentos por irrelevância

O caráter multitarefa dos celulares continua atrapalhando mesmo depois de o aparelho ser desligado, principalmente quando a concentração em uma só atividade é exigida. Pesquisadores da Universidade de Stanford demonstraram que jovens acostumados a essa enxurrada de estímulos têm cérebros mais preguiçosos e com menor capacidade de ignorar informações irrelevantes.

Em testes, os acadêmicos constataram que essas pessoas também não conseguiam memorizar dados simples, como letras que se repetiam. “Eles são sedentos por irrelevância”, afirmou o professor Clifford Nass, um dos pesquisadores, à revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

As informações vistas nesse troca-troca de tarefas não chegam nem a virar memórias de curto prazo, o que dificulta a consolidação de conhecimento. “A alternância de tarefas vai tornando as pessoas mais “rasas” por não conseguirem fazer associações mais profundas”, diz Nabuco.

Crianças

O impacto da tecnologia é ainda maior sobre cérebros em formação, como os de crianças e adolescentes. Nabuco explica que crianças precisam receber estímulos do meio ambiente. Ao interagir com aparelhos eletrônicos, isso não ocorre, e ela pode sofrer dificuldade com a linguagem e em lidar com o outro, e não desenvolvem inteligência emocional.

“Quando você interage com um tablet, por mais que mude com o equipamento, a resposta é sempre a mesma. Você vai nivelando as respostas da criança e a amplitude de resposta emocional dela vai sendo diminuída.”

Cérebro x mundo virtual

Nosso cérebro se desenvolveu e evolui em um mundo em que existiam apenas interações físicas, vindas da natureza ou da relação direta com outros seres humanos. Apesar de ele ser dotado de uma grande capacidade de se adaptar, algo chamado de “plasticidade cerebral”, ainda não se acostumou com as peculiaridades do mundo virtual. Por isso, não faz distinção entre o real e o virtual.

“Não é que o celular deixa a nossa cabeça turva, mas a gente está lidando com o mundo real e o virtual do mesmo jeito”, comenta Brizante. É isso que dispara uma onda de ansiedade quando mensagens no WhatsApp demoram para ser respondidas. Para o seu cérebro, é como se o remetente estivesse na sua frente e optasse por ignorar você. As redes neurais, aliás, que processam a dor física, como a de um corte no dedo, é a mesma que analisa a dor social, aquela do rompimento de um namorado, por exemplo.

Mas controle

O caminho para afastar essas interferências ao nosso cérebro é adotar uma dieta mais equilibrada de tecnologia. Isso não quer dizer proibir tudo. O caminho, dizem os pesquisadores, é restringir o uso em momentos em que a atenção é crucial. Citam, por exemplo, a França, que proibiu nesse ano alunos de elevarem celulares para a escola.

Ainda que lance mão de vários truques para chamar a nossa atenção, a indústria, a indústria de tecnologia já percebeu que é preciso colocar um freio. As novas versões dos dois sistemas operacionais mais usados em celulares (iOS e Android) terão ferramentas para controlar o uso exacerbado de alguns apps.

“As próprias companhias estão percebendo que o uso prejudicial para a saúde pode prejudicar o uso geral. Elas querem que você continue usando, mas mantenha um uso saudável”, diz Brizante.

Nabuco, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, concorda. Mas duvida da intenção dessas ações. “A minha pergunta é: será que eles estão preocupados com o tempo gasto ou estão preocupados em receber processos de saúde como os que existem na indústria de cigarro?”.

Fonte: Portal UOL

 

A inovação de que a assistência médica precisa: ajudar as pessoas a gerenciar a própria saúde

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FINALMENTE, A ASSISTÊNCIA DE SAÚDE QUE, de forma geral, tem se mantido imune às forças da inovação disruptiva, está começando a mudar. Ao perceberem o potencial para melhorar a saúde com estratégias simples de atendimento primário, alguns dos maiores atores incumbentes estão convidando os novos ingressantes a focar no empoderamento dos consumidores em seus ecossistemas, altamente regulamentados, reduzindo os custos.

Essa mudança já devia ter sido feita há muito tempo. Embora as novas tecnologias, concorrentes e modelos de negócio tenham tornado os produtos e serviços mais acessíveis em mídia, finanças, varejo e outros setores, a assistência médica nos EUA continua cada vez mais cara. Ela é agora, de longe, o sistema per capita mais caro do mundo, cerca de duas vezes o custo no Reino Unido, Canadá e Austrália, em especial quando se considera que doenças crônicas como diabetes e problemas cardíacos atualmente são responsáveis por mais de 80% do gasto total.

Esses custos astronômicos se devem sobretudo à forma como a concorrência opera no sistema de saúde americano. Os empregadores e as operadoras de saúde — não o consumidor final — decidem o tipo de assistência médica que eles pagarão. Grandes hospitais e clínicas médicas, por sua vez, competem como se estivessem numa corrida armada para atrair os consumidores, acrescentando avançados equipamentos de diagnóstico, ou novas alas cirúrgicas como diferencial, elevando os custos.

Na maioria dos setores empresariais, a inovação é desenvolvida por startups. No entanto, quase toda a inovação disruptiva na assistência médica custeada desde 2000 tem sido para sustentar o modelo de negócio da indústria, e não inová-la. Nossa análise, baseada na Pitchbook Data, mostra que foram despejados mais de US$ 200 bilhões em capital de risco na área de assistência médica. Principalmente em biotecnologia, fármacos e dispositivos em que os avanços normalmente tornam o atendimento mais sofisticado — e caro. Menos de 1% desses investimentos foi alocado para ajudar os consumidores a desempenhar um papel mais ativo no manejo da própria saúde — área propícia para abordagens disruptivas.

 

ABORDAGEM DO SER INTEGRAL

Um dos grandes incumbentes que se tornaram mais receptivos à inovação disruptiva é a gigante de seguros Humana. Ela formou uma parceria com a startup Iora Health, com sede em Boston. Criada pelo médico empreendedor Rushika Fernandopulle, a Iora antecipou um modelo disruptivo de atendimento primário da saúde, que utiliza coaches de saúde não médicos, relativamente baratos, para identificar hábitos e estilos de vida não saudáveis dos pacientes e orientá-los a fazer melhores escolhas antes que os problemas de saúde surjam ou se agravem. Desde sua fundação em 2010, a Iora captou mais de US$ 123 milhões em financiamentos e atualmente trabalha com 37 modalidades atendendo 40 mil pacientes em 11 estados. A Iora treina cada um dos coaches de saúde para se tornar o advogado do consumidor, atuando como um zagueiro em atendimento médico continuado, que inclui um médico.

Ao visitar uma clínica da Iora, o paciente se encontra com o coach para deinir uma agenda de saúde antes de consultar o médico. Depois da consulta médica, o coach e o paciente discutem o tratamento para garantir que este cumpra de forma segura as metas de saúde combinadas — por exemplo, adotar novos hábitos saudáveis. O coach funciona então como um elo entre o paciente e a equipe da Iora, e cria confiança. Outro aspecto do modelo da Iora é a reunião da manhã, quando toda a equipe de atendimento passa uma hora discutindo o status da saúde dos pacientes da clínica.

Como a Iora assume o risco financeiro total de seus pacientes—é cobrada uma taxa fixa por paciente por determinado período —, na reunião discutem-se os pacientes prioritários, isto é, os que requerem mais atenção, e o atendimento é direcionado de acordo com suas necessidades. Com esse objetivo, a Iora desenvolveu uma metodologia de “nível de preocupação” que classifica cada paciente numa escala de 1 a 4, de acordo com seu estado de saúde e necessidade de tratamento. Os pacientes com pontuação 4 requerem ações específicas, como atenção imediata de um coach. Se a expectativa para o paciente melhorar, seu nível de preocupação é rebaixado e o fato é comemorado pela equipe.

O modelo da Iora produziu resultados espetaculares no gerenciamento de doenças crônicas. Um estudo não publicado realizado pela Iora mostrou, por exemplo, que num período de 18 meses a internação hospitalar de pacientes, de um grupo de 1.176 inscritos na Iora Medicare, diminuiu cerca de 50%; os atendimentos de emergência foram reduzidos em cerca de 20%; e a despesa média total diminuiu em 12%—isso apesar de o grupo estar mais doente que a média de pacientes do Medicare.

A Iora não está sozinha nessa abordagem que foca mais na prevenção da saúde que no tratamento de doenças. Empresas como a Oak Street, Omada, Docent, ChenMed, WellMed, Mosaic, Aledade e outras tiveram sucesso com modelos disruptivos de equipes de tratamento médico.

O que torna os modelos disruptivos—e capazes de conquistar um nicho entre as gigantescas organizações de operadores incumbentes—é a combinação do serviço prestado com o modelo de remuneração (Capitation é o modelo predominante). Qualquer um deles, sozinho, provavelmente não teria êxito.

APOIO À DISRUPÇÃO

As operadoras que pagam pelos serviços e outras organizações inovadoras que prestam serviços de assistência médica utilizaram estratégias similares durante anos. Uma série de programas — da Aetna, CareMore, Dignity Health, Humana, Kaiser Permanente e o programa Advantage, do Medicare — está utilizando coaches em consultas domiciliares para melhorar significativamente a saúde e reduzir custos. Um estudo mostrou que os provedores que participam do programa Independência em Casa, do Medicare, economizaram, em média, US$ 1.010 por beneficiário no segundo ano do programa basicamente reduzindo a utilização do hospital.

Outro piloto baseado em equipe de atendimento, o Programa de Prevenção de Diabetes, reduziu o risco dos pacientes desenvolverem a doença, e a economia resultante foi de aproximadamente US$ 2.650 por beneficiário para o Medicare, num período de 15 meses. O programa ajudou os pacientes a perder, em média, 5% do peso por meio de mudanças na alimentação e de exercícios físicos. O programa é oferecido por grupos de atendimento médico primário, hospitais, centros das ACMs e redes de telemedicina, e os pacientes são atendidos semanalmente, em“sessões de manutenção” de uma hora de duração com os coaches. Embora esse modelo de assistência médica tenha se mostrado eficiente em pequena escala, para ter impacto significativo nos custos e nos resultados em nível nacional, ele precisa atender mais alguns milhões de consumidores. Para atingir essa escala, recomendamos as seguintes estratégias:

Para os prestadores de assistência médica:

Adotar o modelo de negócio de equipes de atendimento médico continuado. Recomendamos começar com programas-piloto, nos quais hospitais e clínicas assumem o risco financeiro pela saúde dos pacientes. Dessa forma, as equipes de atendimento são incentivadas a ajudá-los a se manter saudáveis.

Para as operadoras e seguradoras:

Parcerias público-privadas como o Medicare Advantage (na qual as operadoras que visam lucros administram planos pagos pelo governo) se tornaram um mercado bem-sucedido, propício para modelos disruptivos. Recomendamos programas continuados baseados em pilotos como Independência em Casa e o Programa de Prevenção à Diabetes em mercados de seguradoras com financiamento privado.

Para os legisladores:

Trabalhar para possibilitar novos modelos de atendimento médico que diminuam os custos, incentivando as pessoas, operadoras e prestadores a melhorar o bem-estar, em vez de tratar a doença depois que ela se manifesta. Isso exige promover um mercado robusto de seguro de saúde individual no qual os pagadores recompensam os prestadores por ajudar os pacientes a se manter saudáveis.

 

Autores: Clayton Christensen, Andrew Waldeck e Rebecca Fogg

 Fonte: Harvard Business Review Brasil

Setembro Amarelo: Vamos prevenir o suicídio?

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O tema é complexo, delicado e cheio de tabus, mas não pode ser ignorado pela sociedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem todos os anos por atentarem contra a própria vida, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos. A cada morte, pelo menos seis pessoas são impactadas diretamente. A consequência é alarmante: em 2015, o suicídio foi considerado a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. Só no Brasil, 32 pessoas cometem suicídio todos os dias. Diante de tais dados, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) se unem no Setembro Amarelo para prevenir o suicídio, lembrado dia 10 deste mês.

 

MITOS Há vários mitos relacionados ao comportamento suicida. Atente-se a eles!

1. O suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. FALSO. Apesar de parecer um ato de impulsividade, o suicídio pode já ter sido considerado. Muitos indivíduos emitem algum tipo de mensagem verbal ou comportamental sobre a intenção de cometer esse ato.

2. Pessoas que sobrevivem a uma tentativa de suicídio ou que aparentam estar melhores em relação a intenção de tirar a vida estão fora de perigo. FALSO. Algumas pessoas podem se sentir melhor com o fato de terem decidido tirar a vida. Além disso, um dos momentos mais perigosos é logo após uma crise ou quando o paciente está no hospital, após realizar uma tentativa. Na semana que sucede à alta hospitalar, ele está fragilizado, vulnerável e em risco.

3. O risco do suicídio existe para o resto da vida. FALSO. Os pacientes podem ser tratados de maneira eficaz.

4. Quem ameaça está apenas querendo chamar a atenção. FALSO. Muitos indivíduos dão sinais comportamentais e relatam para mais de uma pessoa, inclusive agentes de saúde, sobre a intenção de cometer o suicídio.

5. O suicídio é hereditário. FALSO. Não é possível associar todos os atos suicidas à hereditariedade. No entanto, o histórico familiar de suicídio é sim fator de risco a ser considerado, especialmente, quando há casos de depressão na família.

6. Os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre alguma perturbação mental. FALSO. Apesar de os comportamentos suicidas estarem associados à depressão, doenças mentais e abuso de substâncias, não se pode descartar outros fatores, visto que há casos em que nenhuma perturbação mental foi detectada.

7. As crianças não cometem suicídio, pois não entendem a consequência do ato e são incapazes de fazer algo contra a própria vida. FALSO. Apesar de raro, as crianças podem cometer suicídio. O importante é lembrar que qualquer gesto, seja na infância, adolescência ou vida adulta, deve ser levado a sério. Em 2015, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, registrou 1.537 suicídios entre os homens e 524 entre as mulheres com idades entre 15 e 19 anos.

8. Falar sobre suicídio aumenta o risco. FALSO. A informação é a melhor ferramenta para ajudar as pessoas em risco. Além disso, a conversa pode aliviar a angústia e a tensão geradas por esses pensamentos.

FATORES DE RISCO

Um dos maiores desafios da sociedade e dos profissionais de saúde é identificar as pessoas que estão em risco ou são vulneráveis ao ato. Por isso, listamos abaixo alguns dos principais fatores de risco para a ideação ou para o ato suicida.

Doenças mentais De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 50% dos suicidas tinham alguma doença mental identificada, não tratada ou não tratada de maneira adequada. Pacientes com mais de um transtorno identificado, têm os riscos aumentados. São fatores de risco:

  • Depressão  

  • Transtorno bipolar

  • Transtornos mentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias

  • Transtorno de personalidade

  •  Esquizofrenia

Aspectos psicológicos

Quando os fatores abaixo estiverem ligados ao consumo de substâncias químicas, o risco é extremamente alto. Além disso, pacientes que já tenham tentado suicídio têm entre cinco e seis vezes mais chances de atentar novamente contra a própria vida. Outros fatores:

  • Perdas recentes

  • Baixa resiliência

  • Personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável

  •  História de abuso físico ou sexual na infância

  • Desesperança, desespero e desamparo

  • Conflitos de identidade sexual

Aspectos sociais

As mortes por suicídio acometem três vezes mais os homens do que as mulheres. Porém, as tentativas são três vezes mais frequentes entre elas. A explicação estaria no fato de os homens serem mais reservados para falar sobre problemas pessoais e, consequentemente, em buscar ajuda, resultado também da cultura na qual estão inseridos. Já as mulheres dispõem com mais facilidade de rede de contatos e de grupos de apoio que as auxiliam nas questões emocionais e psicológicas, o que amenizaria os riscos. Há também um índice elevado entre idosos. Os principais motivos são solidão, perda de cônjuges, doenças degenerativas dolorosas e sensação de dar trabalho para a família. Outros aspectos:

  • Gênero masculino

  • Idade entre 15 e 30 anos e acima de 65 anos

  • Sem filhos

  • Moradores de área urbana

  • Desempregados ou aposentados

  • Isolamento social

  • Solteiros, separados ou viúvos

  • Populações especiais: indígenas, adolescentes e moradores de rua

Condição de saúde limitante

 As condições mencionadas abaixo são fatores de risco, principalmente, nos primeiros meses de diagnóstico e nos casos em que o paciente não responde bem ao tratamento.

  • Doenças orgânicas incapacitantes

  • Dor crônica

  • Doenças neurológicas (epilepsia, Parkinson, Hungtinton)

  •  Trauma medular

  • Tumores malignos

  • AIDS

  • Esclerose múltipla

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)


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Fonte: Portal Unimed

4 desafios da área da saúde para o próximo presidente do Brasil

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Independentemente do cenário político e econômico que se desenhe após as eleições, a área da saúde segue como um dos principais desafios do próximo presidente A falta de dinheiro está longe de ser o principal problema, segundo o presidente do UnitedHealth Group Brasil, Claudio Lottenberg.

O médico oftalmologista abriu o EXAME Fórum Saúde, evento realizado nesta quarta-feira (12), em São Paulo, para debater como recuperar a agenda da saúde no Brasil. A três semanas da eleição, o presidente do Conselho da Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein e presidente do Instituto Coalização Saúde lembrou que é preciso repensar modelos de gestão.

A seguir, confira os quatro principais desafios para o setor de saúde no Brasil, segundo Lottenberg:  

 

1. Formação médica

O último grande estudo que guiou a formação dos médicos nas universidades foi o relatório Flexner, publicado há mais de cem anos. Até hoje, os médicos são treinados para trabalhar em hospitais ou em institutos de pesquisa, com problemas de saúde de alta complexidade.

“Os médicos transformam os problemas de saúde de baixa complexidade em problemas de alta complexidade. Seu papel tem que ser diferente”, disse o presidente do UnitedHealth Group Brasil.

2. Distância entre os setores público e privado

No Brasil, o décimo país mais desigual do mundo, 67% da população é atendida pelo programa público de saúde da família e apenas 25%, pelo setor privado de saúde. A maioria dos planos privados são populares e atendem problemas de baixa complexidade.

Aumentar a participação desses planos no atendimento à saúde da família seria uma solução possível, segundo Lottenberg. Países como a Inglaterra e a Holanda são referência para incluir a iniciativa privada na promoção da saúde pública.

 

3. Tecnologia insustentável

Ano a ano, os gastos do sistema de saúde aumentam acima da inflação no Brasil. A incorporação de tecnologias é importante, mas seu uso inapropriado tem inviabilizado a sustentabilidade da saúde.

“Professores de farmacologia viraram propagandistas de laboratórios e médicos incorporaram tecnologias que não necessariamente agregam valor no tratamento”, disse o presidente do UnitedHealth Group Brasil.

 

4. Regulação politizada

A escolha dos representantes das agências reguladoras de saúde no Brasil é politizada, o que leva a decisões que trazem prejuízos para o setor, segundo Lottenberg. Um exemplo é a falta de reajuste dos planos individuais, que leva ao desaparecimento gradual desses planos.

Fonte: Portal Revista Exame