Sobe gasto de usuário de plano de saúde

jun18-22-111035743-Tim-Robberts-850x478.jpg

As despesas com hospitais, exames, consultas, terapias e procedimentos odontológicos, pagas por meio de planos de saúde somaram R$170,7 bilhões no ano passado, o que representa um aumento nominal de 38% quando comparado a 2016 – descontando a inflação medida pelo IPCA, esse percentual é de 34%. Nesse mesmo período, o número de procedimentos realizados pelos usuários dos planos subiu 3,4% para 1,5 bilhão, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O levantamento mostrou redução apenas no número de consultas realizadas no ano passado. Foram 2,6 milhões de atendimentos a menos, o que corresponde a uma retração de 1%. Em valor, no entanto, houve aumento de 23% nos gastos com esse quesito. As internações apresentam alta de 1,3% em volume e de 38,8% em valor.

O total de usuários de planos de saúde diminuiu 0,8%, no ano passado, para 47,2 milhões de beneficiários, como reflexo do ainda alto nível de desemprego no país. Cerca de 390 mil pessoas deixaram de ter convênio médico na comparação com 2016. Os planos de saúde empresariais - concedidos pelas companhias a seus funcionários – representam 67% do total.

Imagem1.jpg

 

O peso dessa conta no orçamento das empresas vêm aumentando. Não à toa, a Confederação Nacional da Indústroa (CNI) incluiu pela primeira vez na pauta de reinvindicações que costuma apresentar a pré-candidatos à Presidência da República mudanças e adequações nos planos de saúde. O encontro com os presidenciáveis será realizado hoje em Brasília, com debate também de temas ligados à educação, tributação, infraestrutura, meio ambiente, comércio exterior, entre outros.

“O plano de saúde entrou como um dos temas prioritários devido à pressão que esse custo está provocando na agenda empresarial. O convênio médico representa 12% a 13% da folha de pagamento da indústria. “ disse Emmanuel Lacerda, gerente-executivo de saúde e segurança do trabalho do Sesi, braço da CNI.

Ele observou que esse percentual pode ser muito maior, dependendo da companhia. E citou o caso de uma indústria com 40 mil usuários de convênio médico, em que o custo do benefício é o mesmo da folha de pagamento.

A CNI apresentará aos candidato seis pontos que considera essenciais para frear a alta dos custos dos planos. São eles: mudança no modelo de remuneração para os prestadores de serviços com base nos resultados dos procedimentos médicos; redução da judicialização, com capacitação dos magistrados sobre temas ligados à saúde; implementação de programas de atenção primária com médicos da família; incorporação de tecnologias no rol de procedimentos obrigatórios da ANS; desenvolvimento de modelo de gestão baseado em evidências médicas; e disponibilização de dados sobre a saúde dos funcionários, sem abrir informações por pessoa, para a criação de programas de prevenção mais efetivos nas corporações.

Na visão da CNI, as operadoras também precisam implementar ações para melhorar a gestão administrativa. “Nas operadoras de planos de saúde, o índice de desperdício é de 19%, segundo o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar). Na indústria, não existe esse nível de desperdício, seria inaceitável”, disse o gerente-executivo do Sesi. Nessa taxa de 19% há desde exames médicos não retirados, até fraudes no uso da carteirinha do convênio.

Dados do mercado apontam que o reajuste médio dos preços dos planos de saúde empresariais deve ser de 19% neste ano. O percentual supera o aplicado em 2017, de 17,9%, em média. No plano individual, a correção será de 10% e nos planos coletivos por adesão a alta média é de 18%.

Fonte: Jornal Valor Econômico