O verdadeiro impacto de programas de bem-estar para funcionários

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 Com a intenção de diminuir os altos custos com planos de saúde, muitas empresas têm criado programas de bem-estar para os funcionários. Ao oferecer serviços como incentivos para a prática de exercício, acompanhamento nutricional e campanhas antitabagistas, as companhias esperam ver mais foco na prevenção e menos gastos médicos, além de melhora nos índices de absenteísmo, satisfação e produtividade entre os empregados.

Um novo estudo de professores americanos, no entanto, sugere que esse tipo de iniciativa tem poucos efeitos. Segundo os resultados, programas de bem-estar acabam atingindo profissionais que já eram predispostos a adotar práticas saudáveis, o que - pelo menos no primeiro ano de programa - não resulta nos ganhos que as empresas esperam.

O "Illinois Workplace Wellness Study" é um amplo estudo realizado na Univ. de Illinois em Urbana-Champaign. Junto com a área de serviços de bem-estar do campus, professores desenvolveram em 2016 um programa de saúde para os funcionários da universidade, que incluiu uma série de atividades como aulas, programas de gerenciamento de estresse e oferta de exames médicos. A iniciativa ofereceu recompensas em dinheiro para quem completasse todo ou parte do programa.

Dos 12.400 funcionários elegíveis, mais de 4 mil participaram do estudo, que coletou dados de questionários, frequência de uso da academia do campus, utilização do plano de saúde e registro de faltas, entre outros.

O estudo não encontrou efeitos significativos do programa de saúde em uma série de pontos em que a organização queria obter melhorias: não houve diminuição considerável nos gastos com plano de saúde ou no absenteísmo dos funcionários, nem aumento nas visitas à academia ou na participação de eventos esportivos.

Segundo os pesquisadores, esses programas acabam pregando para convertidos. Os funcionários participantes também são os mais propensos a praticar atividades físicas e a dar mais atenção à saúde, por isso já apresentavam gastos menores com o plano de saúde antes de participarem das iniciativas oferecidas.

"Isso sugere que um benefício de oferecer esses programas é o potencial de atrair e reter profissionais com gastos baixos de saúde", afirmam os autores em um artigo, publicado no National Bureau of Economic Research. 

Dois resultados positivos foram observados: profissionais que participam do programa reportaram fazer exames de saúde em maior quantidade e apresentaram a percepção de que os gestores da universidade priorizam a saúde e segurança dos funcionários.

Os professores usaram um método rigoroso de pesquisa científica chamado ensaio controlado randomizado. Nele, os resultados são coletados de participantes selecionados de forma aleatória levando em conta um controle de variáveis, o que permite a obtenção de efeitos causais de uma intervenção em uma população. Esse foi o primeiro estudo sobre programas de bem-estar que usou essa metodologia, e seus resultados foram de encontro a experimentos anteriores que identificaram diminuição de gastos e faltas por meio de outros tipos de análise.

Os autores reforçam, entretanto, que os resultados obtidos agora se referem apenas ao primeiro ano de pesquisa, e não descartam a possibilidade de efeitos de longo prazo aparecerem nos próximos dois anos em que eles darão continuidade à análise.

Fonte: Jornal Valor Econômico